Se sexo é o que importa, só o rock é sobre pedofilia!

26/11/2006 at 20:11 4 comentários

Bidê ou Balde - Carlinhos (vocal)
Bidê ou Balde, só pra maiores

Já com dois discos e um EP lançados, e com uma legião de seguidores em Porto Alegre, que se alastrava pelo resto do país, a Bidê ou Balde entrou no Acústico MTV Bandas Gaúchas. Bombou. O terceiro álbum teve distribuição pela OutraCoisa, do loucão Lobão. Bombou mais.

No meio do caminho, rolou um processo em que foram acusados de incitarem a comilança de criancinhas – apologia à pedofilia –, graças aos versos da canção de amor “E Por Que Não?”: “(…)/teu sangue é igual ao meu/teu nome fui eu quem deu/te conheço desde que nasceu/e por que não?/(…)/eu estou adorando/ver a minha menina/ com algumas colegas/dela da escolinha/(…)”.

Independente de qualquer coisa, e de gravadora, vieram a Londrina para fechar a primeira noite do Demo Sul dando vazão aos sentimentos, pirando no nonsense e incitando a putaria, numa apresentação memorável. Só pra maiores.

Antes do show, o vocalista Carlinhos tirou uns cinco minutos para falar à gurizada.

Maracas fálicas
Instrumentos fálicos atiçam criancinhas?

bob – Alguém da banda é pedófilo?

Carlinhos – Claro que não (risos). Não, é CLARO que não, brother. É lógico que não. Que horror! Tenho nojo do crime.

bob – Como foi essa história do processo em cima de vocês?

Carlinhos – Ridículo… A música tem a livre interpretação das pessoas. A gente nunca interpretou dessa forma tão malévola, como se estivéssemos querendo fazer propaganda da pedofilia. Isso é um absurdo. Lamento muito as pessoas terem interpretado dessa forma a música, e terem achado que isso era o que a gente queria. Mas entendo até, porque quem nos processou foram ONGs que trabalham com casos de violência infantil, com casos de violência à mulher. Pessoas que pensam nisso o tempo inteiro. Então, a gente sempre achou “bah, quem vai pensar um negócio assim da nossa música é quem tem isso na cabeça”. Eles têm.

Quem entende, quem tem um espírito assim mais de livre interpretação, pode até entender esse lado da letra, mas vai rir pelo fato de ter vários lados, várias formas de interpretar. Cada um vai ter a sua tradução.

E esse processo é da mesma época que o meu pai entrou em coma e faleceu, então eu fiquei muito sensível com essa história. Fiquei de cara, fiquei muito bravo com isso. Minha vontade seria de arranjar um jeito de prender essas pessoas, pela violência que fizeram comigo, com a minha família. Porque a gente ficou muito abalado, sabe. Bah, foi horrível. Mas ninguém tem culpa de nada. Eu quero é iluminação, não quero escuridão.

bob – E em que pique está, na justiça?

Carlinhos – O processo acabou agora. A gente assinou uma espécie de acordo. Não vão recolher disco, não vão fazer nada. Nas próximas prensagens dos discos vai sair sem a música. No Acústico MTV já saiu sem a música no cd. A gente também não está tocando ela nos shows, porque a gente não quer atrapalhar o nosso repertório todo.

E, cara, eu tinha um cd e uma fita do Body Count. Aí eu vendi o cd porque não tinha “Cop Killer”, e fiquei com a fita original, porque tinha. Eu acho tri-massa ter uma, sabe… (risos). Então é legal a gente deixar a música ter lá seu culto próprio. É uma música idiota. Tem três acordes, sei lá, dois; três ou quatro frasesinhas rimadas.

[+]

>> Veja as fotos da Bidê ou Balde no Demo Sul 2006.

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Fotos >> Bidê ou Balde no Demo Sul 2006 Fotos >> Trilöbit no Demo Sul 2006

4 Comentários Add your own

  • 1. Teixeira  |  27/11/2006 às 3:57

    Do caralho, Daniel!! Gostei da 1ª pergunta!!!

  • 2. Andre  |  27/11/2006 às 7:37

    começou bem hein? fazer uma primeira pergunta dessa é coisa de jornalista macho.

    eu fico realmente feliz que voce começou a fazer jornalismo, porque sei que é uma coisa que vc sempre quis, ficava todo injuriado na republica do pereira e do dna, reclamando que queria escrever e não filmar, enquanto fumava um maço e outro.

    só toma cuidado com o “jornalismo rock” dessa merda de país, cheio de escritores ruins, idiotas e paga-pau de bandas, que falam bem pra conseguir presentinhos e chegam a inventar entrevistas que nunca existiram. O importante é escrever bem e ser sincero, e acho que voce tá nesse caminho.

  • 3. Daniel  |  27/11/2006 às 11:48

    andré, fazer uma primeira pergunta dessa é coisa de edição… jornalista macho não existe não. : )

    na conversa mesmo, a primeira foi sobre comparações com a video hits, q no fim deixei de fora do texto. essa aí foi a última, na verdade, e eu pus lá pra cima pra ficar mais divertido.
    nesse pique é tipo filmar… pega o material bruto, e monta no final – mas com o cuidado de não botar nada na boca de ninguém, ou mudar o sentido do bagulho.

    sobre gente idiota, ruim e paga-pau, isso tem em todo lugar, né. tem que ser sincero e curtir. aí sim.

    abs!

  • 4. Bunda de Vaca  |  27/11/2006 às 16:45

    Foda-se.

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